Urucuzeiro, Urucury, Urucu-uva, Rucú, Arnota, Anata, Bixa orellana
Linneo, Família das bixineas
História Natural. Árvore de dez a vinte pés de
altura que se observa na maior parte das províncias centrais e do norte do
Brasil. Tronco direito, ramos aproximados formando uma cimeira redonda e copas
de ramos recentes pubescentes; folhas ovais, oblongas, lanceoladas, acuminadas,
cordiformes ou por vezes redondas na base, com três ou cinco nervuras até o
meio de cor verde clara e glabra pelas duas faces; folhas nascentes
cobertas de uma penugem de cor amarela ou arruivada, que se desvanece bem
depressa; pecíolo delgado, cilíndrico, de cor púrpura roxa, assim como as
nervuras e as veias; estípulas lanceoladas, ovais, assoveladas no cume e
membranosas; panículas de sete a quinze flores; pedúnculo comum, rijo,
pulverulento na época da florescência, assim como os pedúnculos e pedicelos;
pedúnculos rijos, pouco numerosos, curtos de duas a quatro flores; os
inferiores alternos; os terminais ordinariamente em umbela e subfastigiados;
pedicelos mais curtos que o cálice, espessos, algumas vezes em breve cacho
corimbiforme, ordinariamente em pequena cimeira; flores largas de uma polegada;
sépalas obovais ou orbiculares, estriados, pulverulentos e avermelhados; pétalas
obtusas, obliquamente obovais, mais curtos que o cálice, de cor rósea ou
púrpura; estames mais curtos que a corola, quase longos como o pistilo, não
persistentes; ovário guarnecido de sedas brancas mais curtas que o estilo;
fruta ou cápsula cordiforme, oval, pontuda, um pouco comprimida nas duas faces,
denegrida, coberta de sedas curtas, assoveladas, da mesma cor que o pericarpo;
válvulas compridas de uma polegada, largas pela base cimbitiformes, pouco
divergentes; semente de duas linhas de comprido, tegmento exterior; polpa de
cor de azinhavre, fuminhos e nervuras da placenta preta (Spach, Histoire
Naturelle des Végétaux Phanérogames, t.6, p.118).
Análise Química. O Urucum contém um pouco de
matéria colorante, matéria resinosa amarela (Oxellina), matéria extrativa de
cor amarela-vermelha, mucilagem, extrato, goma, fibra lenhosa, um ácido próprio
(John, Annales de Chimie, t.88).
Propriedades. Em medicina, o Urucum
tem sua fama, entra como agente afrodisíaco nos pós da Índia chamados Wakaka,
descritos no formulário magistral de Cadet de Gassicourt do seguinte modo:
Cacau em pós, uma onça; açúcar, quatro onças; açúcar de baunilha, seis oitavas;
canela, uma oitava; urucum seco, uma oitava. Faça S.A. em pós. Nicolson
assevera que a polpa da fruta é fresca e mesmo adstringente. As sementes, diz
Martius, que algumas vezes recebe o nome de semente uanacu ou unacu e se vendem
no mercado, são recomendadas por alguns médicos como adstringente cardíaco,
para moléstias do coração e para casos de hemorragias. O cozimento das raízes
ainda vale melhor para preencher a indicação de suspender as hemorragias. A
mistura do Urucum com azeite de rícino preserva, pela sua aplicação sobre a
pele, dos insultos de mosquitos e borrachudos. A polpa vermelha é de uso vulgar
na cozinha brasileira para dar uma cor de açafrão às iguarias e aos
adubos, pois ela se reputa aromática e tônica. A madeira é resinosa e pelo
atrito ela facilmente se inflama e faz fogo. Nas artes da tinturaria, o Urucum
tem grande extração, pois a tinta amarela de cor de ouro que fornece é a mais
bela e brilhante de todas as cores pelo seu lustro. Infelizmente, ela se desvanece
ou altera em pouco tempo. Serve para tingir as sedas e os tecidos de lã, para
os vernizes, os óleos, as gorduras e para dar cor à manteiga, à cera e aos
queijos ingleses. Sabe-se que os índios costumam tingir o corpo com Urucum para
preservá-lo do contato nocivo dos insetos. Prepara-se o Urucum tirando o
primeiro tegmento da fruta; as sementes, depois de apanhadas e despegada a
película, são separadas e piladas. O pilão deve ser do tamanho adequado ao
trabalho e de madeira rija. O macerador recebe a semente ao sair do pilão,
dilui-se em água onde fica até ser espremido. Envolve-se a massa peneirada e
limpa em folhas de bananeira, e ela fica assim até experimentar um princípio de
fermentação. Então pisa-se de novo, leva-se uma outra vez a macerar e depois torna-se
a secar. Os que repetem quatro ou cinco vezes a operação do maceradoiro
procuram aumentar o peso da massa do Urucum Fazem o mesmo que outros no
comércio, entretento a moleza e amassando o Urucu com porção de urinas. As
sementes secas são preferidas pelos compradores do que a massa. Verdade é que
elas fornecem uma matéria colorante superior, porém sofrem pelo contato da luz,
perdem a vivacidade da cor e tornam-se pretas pela umidade. Faz-se a cultura do
Urucuzeiro de sementes e estacas, sendo as primeiras preferíveis. Quando a
planta chega à altura de dez polegadas, está boa para ser transplantada. A
plantação deve ser o mais bem alinhada possível. As lagartas não atacam o
Urucuzeiro. As chuvas e a umidade lhe são favoráveis. O seu maior inimigo é o grande
calor. O Urucuzeiro exige cuidado e limpeza mormente nos dois primeiros anos.
Os preceitos da cultura acham-se bem expostos na Memória sobre a Plantação e o
Fabrico do Urucum, publicada no primeiro número do Patriota, janeiro de 1813.
Referência

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